ANO NOVO, VIDA QUE SEGUE!

Publicado em 29/12/2017 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

ANO NOVO, VIDA QUE SEGUE!

Ao findar-se mais um ano do nosso calendário, os diversos tipos de mídia vão refrescar nossa memória com os mais variados tipos de retrospectivas acerca dos acontecimentos que marcaram a vida planetária no ano de 2017. Certamente que os programas televisivos catalisam os olhares e os sentimentos dessa gigantesca plateia humana. Muito mais do que os atrativos que estampam os impressos em revistas e jornais. Muito mais, talvez, do que a internet, porque, ao invés de dois olhos solitários nas telinhas de computadores, celulares e outros equipamentos digitais, a TV atrai a um só tempo olhares coletivos. De novo, revivemos a dor pelas tragédias que abalaram o nosso mundo, através de desastres naturais, das guerras e, paradoxalmente, das próprias máquinas inventadas pelo homem. Desse turbilhão de imagens, o cérebro de cada um de nós vai constatar que a vida é mesmo um mar revolto de dor salpicado por pequenas ilhas de alegria e felicidade.

                      Melhor seria nosso cérebro ficar restrito ao conhecimento do nosso ciclo de vida – do nascimento à morte, passando pelas peripécias da vida de cada um. No entanto, a evolução espiritual exige que tenhamos noção de que habitamos um planeta relativamente pequeno – a Terra –, do sistema solar, cuja órbita e distância dessa estrela – o Sol – nos permitem ter um elemento vital, que é a água, na sua forma mais abundante e necessária à vida animal e vegetal – o estado líquido – e as demais formas: sólida (geleiras) e gasosa (em quantidade menor e invisível, medida pelo que chamamos umidade relativa do ar, condensando-se na forma líquida e ficando visível  como nuvens de chuva, nevoeiros e orvalho, ou seja em partículas líquidas suspensas na atmosfera).

                          Em síntese, o Sol é a fonte primária de toda a energia planetária natural e dos seus seres viventes. Sob a forma de fótons a energia solar atravessa os meandros do espaço sideral e, aqui, vai ser captada pelo pigmento clorofila das plantas verdes, e somente na presença dessa energia luminosa e nessas plantas, vai haver a combinação de 6 partes ou 6 moléculas de gás carbônico (CO2), captado na atmosfera, mais 6 partes ou 6 moléculas de água (H2O), resultando numa molécula de carboidrato (C6H12O6) e sobrando 6 porções ou moléculas de oxigênio (02), que são lançadas ao ar. Essa é a equação da fotossíntese ou a equação da vida.

                          Os carboidratos vão estar nas folhas, nos ramos, raízes e tubérculos, que vão ser comidos pelos animais e proporcionar a energia necessária para o desenvolvimento deles e os seus movimentos. Um animal comido por outro animal vai, indiretamente, levar essa energia adiante. Claro que, há animais herbívoros, que somente comem plantas; os carnívoros, que comem só carne; e os omnívoros, que comem as duas coisas, como é o caso do ser humano. Outras formas de energia aproveitadas pelo homem são as extraídas dos ventos (eólica), do próprio sol (solar), hídrica (das quedas d’água), fóssil (do petróleo e do carvão mineral), nuclear (do átomo) e da biomassa (da queima de madeira, bagaço da cana, etc).

                            Nascer, viver e morrer é uma trajetória aparentemente tão simples e, ao mesmo tempo tão complexa. Então, o que dizer de estrelas, planetas, satélites, cometas, galáxias, buracos negros e universos paralelos? E a vida eterna?

                            Tem horas que melhor é afugentar essa profusão de ideias. Mesmo assim, se focamos nossa vida num campo familiar, no nosso progresso pessoal, no nosso lazer, tudo vai fugindo do nosso controle, pois deparamos com uma violência crescente e banalizada. No nosso país, o lazer do futebol virou meio de vida para atletas, clubes e empresários, enquanto xingamentos de torcedores evoluíram para pancadaria e massacres. Os românticos ladrões batedores de carteira foram substituídos por insensíveis e ferozes latrocidas. As revoluções que significaram mudanças na humanidade foram trocadas por terroristas vulgares e vagabundos, que atropelam, matam e mutilam por desequilíbrios pessoais ou causas inexplicáveis. Por outro lado os homens sonhadores e utópicos deram lugar à humanidade amorfa, individualista e mercenária.

                               A despeito dessa visão cruenta, nossas vidas seguem. A Terra continua sua viagem cósmica. O Universo cada vez é melhor descrito, mas pouco entendido. Mais um ciclo se fecha no abstrato calendário. Adentramos o Ano Novo, em 2018, e a rotina da vida segue do mesmo jeito, em aparente simplicidade, mas envolta em insondáveis mistérios e, vez ou outra, sacudida por acontecimentos imprevisíveis.

*Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003) – [email protected] – pelo texto de hoje, revivendo seu passado de professor de Ciências e Biologia no Curso Mineiro de Preparatórios, de Belo Horizonte.