TOURADAS EM MADRI NO BAIRRO CANAÃ

Publicado em 13/08/2014 - ze-nario - Zé Nário

Como é de conhecimento de todos, a cidade ganhou mais notoriedade nacional por causa da “lei anti-galinha”. Mas, faça-se justiça, não se pode “enquadrar” tão somente os galináceos, já que outros bichos sobrevivem sobejamente pelas ruas da cidade. E estes abusam muito mais, conforme Amaury Jr. demonstrou na edição anterior.

Também quero citar como exemplo dois fatos acontecidos no bairro Canaã, já faz algum tempo. Fatos que poderiam ter desdobramentos muito mais graves do que a pacífica e cacarejante existência das aves domésticas nos quintais urbanos.  

Na realidade, este texto foi escrito há algum tempo e estava até meio esquecido na gaveta.  Em virtude dos últimos acontecimentos, e também para corroborar as palavras do meu amigo Amaury Jr., resolvi trazê-lo à vista.

Coisas incríveis acontecem nas ruas do bairro Canaã, vez por outra. Num domingo de manhã, eu saía para algumas compras de conveniência quando avistei uma cena inusitada: vários homens tentavam laçar um boi no pequeno triângulo gramado existente no início da rua Dr. Antero Veríssimo da Costa.

Uma cena rural, pouco comum na área urbana. Minutos depois, esse mesmo grupo proporcionou uma nova cena inusitada: a perseguição ao boi evadido, na tentativa de laçá-lo, pela Rua Tamar. O apavorado boi desceu a rua, correndo tanto quanto podia, sempre perseguido pelos laçadores frustrados.

Uma moderna perseguição motorizada ao animal desgarrado.  Os perseguidores o seguiam de motocicleta e também numa camioneta. Possivelmente assustando ainda mais ao animal já tremendamente sobressaltado com as coisas do ambiente urbano.

Pela Graça do Bom Deus, não havia ninguém pelas ruas do bairro naquele horário. Imagine se esse boi apavorado encontrasse pelo caminho um grupo de crianças brincando, idosos a fazer sua caminhada ou pessoas passeando com seus cães... As consequências seriam imprevisíveis.

Essa história me fez lembrar outra, acontecida há algum tempo. Era um domingo de noite, por volta das dezenove horas. Eu passava de carro pela rotatória da entrada da cidade, rumo ao bairro Canaã. Andava devagar, sem as pressas dos dias úteis.

Logo depois de virar à direita na rotatória, vindo do centro, ouvi um ruído pouco típico para o ambiente urbano, um galopar acelerado de cavalo: procotó, procotó, procotó...

Instintivamente, em razão do perigo iminente, diminuí a velocidade. Olhei pelos retrovisores e nada vi. Ao acessar a Rua Dr. Antero Veríssimo da Costa, o barulho aumentou. Quando reduzi ainda mais a velocidade para passar pela lombada que existe ali, fui ultrapassado por um cavalo arreado em disparada. E sem cavaleiro, é claro.

Logo atrás vinha uma motocicleta ocupada por duas pessoas e buzinando seguidamente. Não sei se vi direito, mas parecia que o ocupante da garupa manejava um laço e ambos perseguiam o cavalo em disparada. Já pensou no apavoramento do equino? Som em alto volume pra todo lado, barulho de carros, ruído da motocicleta (buzinando seguidamente) e os gritos de seus ocupantes... Um verdadeiro furdunço!

Ao chegar à pracinha do bairro, o cavalo apavorado virou à esquerda e continuou seu galope acelerado pela Rua Tamar. Eu também seguia pela referida via e pude ver que o cavalo virou à direita no final da rua. E não soube o final da história. Espero que tenha sido um final feliz. Para o cavalo e para os homens que o perseguiam.

No momento do acontecido, demorei um pouco para entender a situação. Fiquei a imaginar se estaria no meio de uma filmagem de um filme de cowboys. A única diferença é que os perseguidores do cavalo disparado usavam uma motocicleta.

Mas não era nada disso. Certamente era a consequência de algum ruído que assustou o animal, pouco afeito aos barulhos da cidade, e ele saiu em disparada pelas ruas da cidade. Os perigos do fato são evidentes. Ele poderia ter atropelado uma criança, um idoso ou qualquer outra pessoa.

Ou poderia ter trombado com um veículo qualquer, causando muitos estragos. Quer dizer, muitos acidentes felizmente não aconteceram naquele principio de noite de domingo, por pura sorte.

E a sorte pode não estar presente na próxima vez, coisa que não é difícil acontecer. Os carros hoje trafegam pelas vias públicas com o som altíssimo, acima da tolerância humana.

Isto afeta até mesmo a nossa capacidade de orientação. Imagina o estrago que faz nos ouvidos de um cavalo, animal com uma audição reconhecidamente sensível! Na referida ocasião, creio eu, o cavalo não teve culpa nenhuma, obviamente.

Ele não estava no ambiente ideal. Assim como o boi apavorado e desesperado que também desceu pela Rua Tamar em desabalada carreira. Diante do exposto, é necessário que os envolvidos – os homens, é claro - tomem mais cuidados porque, em ambos os casos, algo de grave poderia ter acontecido.

Já com as galinhas...

Por: José Nário Silva (Muzambinho/MG)