NÃO SOMOS DEVIDAMENTE EDUCADOS, MAS PODEMOS FINGIR QUE SOMOS

Publicado em 25/11/2016 - ze-nario - Da Redação

NÃO SOMOS DEVIDAMENTE EDUCADOS, MAS PODEMOS FINGIR QUE SOMOS

As chuvas estão de volta e o verão já mostra a carinha. A disseminação acelerada do mosquito transmissor da dengue, da chicungunya e da zika - o tal do Aedes - nas várias regiões do Brasil, especialmente nas áreas mais quentes, é uma prova inconteste de que somos muito mal educados. Isto porque a sua disseminação é fruto principalmente da proliferação dos criatórios, instalados em quaisquer depósitos de água, por mais insignificantes que sejam. Desde uma tampinha de garrafa até um pneu de caminhão.

Acredito que, a exemplo dos últimos anos, será uma tarefa muito dura conseguir controlar os focos do bichinho, que adora qualquer pocinha de água para aumentar a família. E pocinha de água é o que não falta por esse país. Pocinhas, poçonas e verdadeiras piscinas a convidar as senhoras Aedes para colocar seus ovos e, consequentemente, disseminar seus descendentes carregados de vírus pestilentos.

As reportagens da televisão mostram todos os dias os verdadeiros absurdos que são cometidos pelos habitantes do país, jogando lixo em qualquer lugar, principalmente no terreno alheio, como se o mosquito respeitasse muros e cercas.

E esses absurdos, como seria de se esperar, não são cometidos somente por pessoas supostamente mal informadas, habitantes de bairros periféricos, não. Muitas residências localizadas nos chamados bairros nobres, dotadas de elaborados jardins na frente e portentosas piscinas nos fundos, são focos de produção de larvas do famigerado mosquito transmissor dessas doenças todas.

Isso deixa muito evidente que a deseducação da população é um mal que atinge a todas as classes sociais, independente do grau de instrução escolar e do poderio econômico. Esse comportamento está mais ligado à nossa terrível mania de sempre tentar levar vantagem sobre os demais.

Um exemplo: o morador de um bairro pega seu lixo e o lança num terreno baldio, quando está a caminho do trabalho, imaginando que com isso está enganando alguém. Isso também é feito constantemente nas estradas em trechos próximos das cidades.

Aliás, as estradas são palcos das mais absurdas atitudes por parte dos ocupantes dos automóveis. Sempre que viajo acabo sendo testemunha desses abusos. O lançamento de latinhas de alumínio, papéis, embalagens variadas, tocos de cigarro e coisas assim, são comuns.

Mas outras coisas também são atiradas pelas janelas do carro. Há pouco tempo, quando rodava atrás de um carro numa rodovia movimentada, no começo da noite, vi quando lançaram um gatinho pela janela. O coitado do bichano voou uns dez metros antes de aterrissar numa moita de capim e sumir desesperadamente na vegetação adjacente. Certamente ele gastou pelo menos umas três de suas sete vidas nessa aventura desventurada.

Uma outra vez, logo que fui ultrapassado e espremido por um carro em alta velocidade, também no período noturno, jogaram algo que parecia uma calcinha. Imagina só o que estava acontecendo lá dentro, enquanto o motorista – ou a motorista - serpenteava pela pista, fazendo ultrapassagens perigosas.

Enfim, a defenestração de objetos variados pelas estradas é costume arraigado entre nós. Assim como a premiação do terreno alheio com os vários tipos de lixo que produzimos. Fatos que demonstram muito claramente a nossa falta de educação.

Mas, já que não recebemos como herança cultural o respeito pelo espaço público ou alheio, podemos pelo menos simular que os respeitamos. Podemos fingir que somos devidamente educados, observando as regras mais elementares de convivência. Isto ajudaria muito. Inclusive no controle de pragas como o mosquito transmissor dessas doenças tão nefastas para a saúde humana.

 José Nário - Muzambinho/MG