A DERROTA DA POLÍTICA

Publicado em 17/10/2016 - ze-nario - Da Redação

A DERROTA DA POLÍTICA

Acabamos de passar pelo importantíssimo processo eleitoral municipal, que existe para, em tese, renovar os quadros políticos mais próximos de nós, os prefeitos e vereadores. É claro que “renovar” é só força de expressão. Em muitos casos não há nenhuma renovação.

E o eleitor vem se cansando desse expediente, protestando da pior forma possível, através da simples omissão. Os alarmantes números da abstenção, o não comparecimento às urnas para votar, vem crescendo e bateram recordes no último pleito.

A média nacional foi de 17,58%. Mas em muitos municípios superou um quarto do eleitorado, ou seja, 25%. Em algumas cidades, inclusive várias capitais estaduais, a abstenção somada a votos brancos e nulos superou a votação dos prefeitos eleitos.

Em síntese, o voto branco pode ser traduzido como “qualquer um serve”. O voto nulo seria “nenhum serve”. E a abstenção, pesarosamente, poderia ser traduzida como: “não estou nem aí!”.

Dentre as três atitudes, a pior, certamente, é a abstenção, o alijamento do processo eleitoral. O completo descaso pela democracia. O abandono do poder de escolher seus governantes, aceitando um jogo perigoso em que os vencedores podem ser as piores opções possíveis.

A não participação no processo eleitoral, na minha maneira de ver, também tira o direito de reclamar do resultado das urnas. E isso é duplamente triste, pois evidencia uma descrença total nas instituições, especialmente na política.

Apenas para exemplificar, trago aqui alguns números de cidades da região. Em Guaxupé a soma de abstenção (19,54%), de votos brancos (3,63%) e de votos nulos (6,98%) totalizou 30,15% do total. Quase o dobro a média nacional. Em Muzambinho, esse total chegou a 24,13%. Em Monte Belo foi de 22,13%. Em Cabo Verde totalizou 23,97. Portanto, como podemos constatar, todos eles bem acima da média nacional.

Esses dados deveriam servir para que a população reflita sobre suas atitudes. Isto porque, para alguns políticos mal intencionados, quanto menor a participação da população, melhor pra eles. Já que a população não se importa, eximindo-se de qualquer decisão, então eles podem fazer o que bem entenderem. E políticos fazendo o que bem entendem, com certeza não é exatamente o que a população precisa.

Mas esses números, a meu ver bastante negativos, também devem servir para a reflexão dos políticos, que estão vendo a significativa diminuição de sua representatividade. E representatividade, quero crer, é a sua única função, que se desdobra em outras atividades afins.

Na verdade, podemos considerar que esses números representam uma grande derrota para a política em geral, demonstrando que a população está desorientada com tantos escândalos que se repetem a cada instante, em todos os níveis.

E para que as coisas voltem ao normal, com a plena participação do povo no processo democrático, é óbvio que as atitudes positivas devem partir dos políticos, fazendo com que as pessoas voltem a acreditar neles.

Os meios para se conseguir isso? Certamente o contrário do que foi feito até agora! O povo precisa urgentemente de mais transparência, mais competência, mais honestidade! Quem sabe assim possamos fazer funcionar plenamente a democracia...

José Nário F. Silva - Muzambinho/MG