Xingu: o clamor que vem da floresta

Publicado em 03/02/2017 - vitor-hugo - Da Redação

Xingu: o clamor que vem da floresta

O carnaval é uma festa que mostra a alegria, a descontração e a cultura do povo brasileiro. Até o final do século passado, os movimentos em prol de uma agricultura natural, biológica e regenerativa restringia-se a poucos grupos de motivação, digamos assim, filosófica ou ideológica. Esse panorama mudou rapidamente com a sociedade hoje muito unida pela comunicação e voltada aos valores da qualidade de vida, ligada aos alimentos saudáveis e de grande valor nutritivo. O brutal aumento das doenças vem nos conscientizando a buscar um melhor comportamento junto ao meio em que vivemos, temos por aí exemplos de desequilíbrios ambientais imensuráveis. No século passado um cientista francês chamado Claude Betrand preconizou: Le microbe n’est rien, le milieu c’est tout!” “O micróbio não é nada... o meio é tudo”. Suas palavras foram sábias, se devastarmos o meio ambiente, teremos sérias consequências e o dinheiro, seja de onde for: indústria, turismo, agronegócio ou mineração, não irá resolver os problemas, porque o mosquito não sabe diferenciar as pessoas. O presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense divulgou uma nota que diz na íntegra que: “embora não seja a intenção generalizar..., pesquisas apontam os diversos males que os agrotóxicos causam para o solo, para os alimentos e para a saúde de quem consome estes alimentos”. A nota esclarece também que a frase “O Belo Monstro rouba a terra de seus filhos, destrói as matas e seca os rios” é alusiva à usina de Belo Monte. As opiniões são diversas... nossa modesta opinião é de que, como diziam os antigos “Coloque a carapuça em quem servir”. “Nossos direitos vão até onde começam os direitos do nosso próximo”. Não se pode “tampar o sol com a peneira” e deixar que as coisas fluam a bel prazer, como aconteceu no desastre da Samarco, satisfazendo financeiramente os interesses e ações inconsequentes que a população, principalmente a de menores recursos financeiros, irá pagar. Tem que haver um limite, porque os sinais de alerta estão evidentes, o retorno da febre amarela é um deles, onde estão os predadores das larvas dos mosquitos na natureza? Onde estão os lambaris, os peixes-sapo, as pererecas... e até as abelhas que estão desaparecendo? Queremos deixar claro que, não estamos querendo controlar doenças criando sapos e pererecas... mas são ações conjuntas que podem trazer sérias consequências... como a destinação e tratamento de esgoto, queimadas, avanço da agricultura e pecuária de maneira descontrolada, prática da monocultura, uso de agrotóxicos, esgotamento de recursos hídricos para sustentação, de pivôs centrais e muitas outras ações.
O carnaval é a maior festa popular do mundo, é sinônimo de alegria e de descontração, é o maior espetáculo a céu aberto do mundo, e acima de tudo, um patrimônio da cultura brasileira, além de ser a vitrine do nosso Brasil para gente de todas as raças e religiões no mundo inteiro. Parabéns senhor Luiz Pacheco, presidente da Escola Imperatriz Leopoldinense e parabéns ao carnavalesco compositor Cahe Rodrigues, pelo samba enredo “Xingu o clamor vem da floresta”, sua inspiração foi divina, em nome de todos os amantes da vida e em nome da natureza. O nosso eterno “Deus lhe pague”.

Vitor Hugo do Nascimento / Muzambinho
Técnico do Ex-IBC / [email protected]