Vamos colocar as barbas de molho

Publicado em 17/02/2017 - vitor-hugo - Da Redação

Vamos colocar as barbas de molho

Nas últimas quatro décadas do século passado os Estados Unidos deram um salto na produção de alimentos alcançando a liderança mundial, período que ficou internacionalmente conhecido como “revolução verde”, que de verde mesmo só tinha o nome, porque foi conquistado com uma intensa mecanização e uso abusivo de sistemas de irrigações, fertilizantes químicos, herbicidas e pesticidas sintéticos.
O conjunto destes alternativas elevou de forma explosiva a produtividade por hectare nas fazendas americanas, mas deixou os agricultores altamente dependentes de insumos industrializados, combustíveis, energia elétrica, fertilizantes, herbicidas e pesticidas de toda ordem, ao mesmo tempo em que um relatório apresentado na época, pelo Conselho Nacional de Pesquisas e representantes da Academia Nacional de Ciências, alertou que, paralelo ao desenfreado avanço, os empréstimos governamentais estavam arcando com elevados custos e os problemas ambientais estavam ganhando dimensões incontroláveis pela monumental quantidade de agrotóxicos que estavam sendo despejados no meio ambiente.
Segundo o relatório na época (final do século dezenove) eram da ordem de duzentos e cinquenta mil toneladas de agrotóxicos por ano, em todo território americano, nas culturas de soja, milho, algodão e trigo. Os resíduos desembocaram nos riachos e lagos, infiltrando nos lençóis freáticos, sendo detectados nas águas subterrâneas de vinte e seis estados americanos. Muitos destes produtos químicos já haviam sido banidos do Canadá e classificados como nocivos a saúde pelo serviço de proteção ambientalista americano.
Entre estes efeitos danosos, citados na época, destaca-se o surgimento de populações de insetos (denominados, na nossa ótica, de maneira discriminatória e errada de pragas) com fatores de resistência aos agrotóxicos, o que faz com que se busque novos princípios ativos de venenos, e a “bola de neve vai crescendo”. Assistimos no domingo (dia 05), pela televisão, uma pequena reportagem no globo rural, sobre os insetos resistentes aos agrotóxicos, fato que era ocorrendo aqui no nosso país, e que somos um dos maiores consumidores de agrotóxico do planeta. Vale lembrar que aqui não temos o inverno com neves e temperaturas que atingem mais de dez graus negativos que interrompem o ciclo reprodutivo dos insetos, o que se torna um agravante para acentuar o desequilíbrio biológico. La nos Estados Unidos, da virada do século em diante, os estudiosos debruçaram-se em cima das pesquisas à procura de meios alternativos de produzir alimentos, aperfeiçoando as técnicas de gerenciamento e aproveitamento de recursos disponíveis na própria fazenda, reduzindo os custos de produção e preservando a água, o solo e a saúde da população, conquistando ainda a independência econômica do agricultor. (Isto é sustentabilidade).
Os programas alternativos incentivando a pratica de rotação de culturas e plantio de leguminosas na recuperação de áreas degradadas e a proteção das nascentes tomaram corpo. Hoje, como vimos pela televisão, já é possível beber água-de-mina, sem nenhum tratamento, em torneiras públicas no centro de Nova Yoork... É muito bom falar de coisas boas e ações bem sucedidas, os bons exemplos devem ser seguidos, e assim, muitos males podem ser evitados. Na vida, com os acertos vencemos e com os erros aprendemos.

Vitor Hugo do Nascimento / Muzambinho - Técnico do Ex-IBC / [email protected]