Nossa horta caseira

Publicado em 13/04/2017 - vitor-hugo - Da Redação

Nossa horta caseira

O hábito de plantar uma horta caseira, vem dos primórdios do Brasil colonial pelos hábitos alimentares dos portugueses, os quintais das residências já tinham espaços destinados ao cultivo de hortaliças para o preparo dos caldos, as hortas eram ricas em variedades de plantas medicinais como o hortelã, boldo, alecrim e temperos como o coentro, o manjericão, alfavaca, salsas, cebola e o alho, afora as culturas de alimentos valiosos como alface, couve, repolho, cenoura, o pepino, espinafre, beterraba, berinjela, o quiabo os inhames, as taiobas, o tomate, abóboras, chuchu e o cará-do-ar, e ainda sobravam espaços para as frutas, a laranja, a mexerica, mamão, a uva, a goiaba e outras tantas espécies. Além da riqueza cultural destes hábitos que mantinham as pessoas em contato com a terra, interagindo com elementos da natureza, subindo em árvores, e ocupando o precioso tempo, tínhamos de sobra a fartura de alimentos biologicamente mais completos que ainda sobravam para as galinhas que mantinham o terreiro sempre limpo e para indignação de quem não se lembra destes tempos, ainda tinha sempre um porquinho no chiqueiro, cujo sabor da carne e seus derivados como linguiça, os defumados, aquele torresminho frito e espremido no pano, a carne conservada nas latas de gordura e a leitoa assada nas festas de fim de ano, jamais serão esquecidos. À medida que a população foi deixando o campo, e se acotovelando nas cidades, a demanda de alimentos aumentou e os espaços urbanos diminuíram, assim surgiram os cinturões verdes que ganharam vultos com a criação dos CEASAS, e os sistemas evoluíram para os cultivos protegidos, as estufas e os cultivos hidropônicos. Com o aumento da produtividade, os hortifrutigranjeiros são transportados no país de norte a sul, com procedimentos tecnológicos de última geração oferecendo qualquer produto em qualquer época do ano, mas com os preços fora do alcance de grande parte da população. Em busca de uma saída, a horta caseira está voltando a ficar na moda, nas grandes metrópoles, nos condomínios, nas associações dos bairros, com instalações de hortas comunitárias, tradicionais, verticais, suspensas, em ambientes protegidos ou estufas, o mais importante de tudo isto ao nosso ver, é que, as novas gerações comecem a receber digamos assim “no berço” as lições de como lidar com a terra, não que devem trabalhar nela, mas que levem o conhecimento para qualquer ramo de vida podendo um dia, quem sabe, chegar aos grandes produtores e até mesmo nos meios políticos, o conhecimento e o respeito com o planeta, além de que, quem aprende a produzir, aprende também a consumir, sabe ver e valorizar as belezas naturais e respeitar a vida em todos os seus aspectos. Há muitos anos passados tivemos a oportunidade de ser professor em um curso complementar de agricultura no Grupo Escolar na minha terra natal Bom Sucesso, tínhamos uma bela horta e até hoje colhemos os frutos desse trabalho, quando lá vamos a passeio e vemos produtores que começaram seus aprendizados no nosso “Curso Complementar de Agricultura”, onde a horta era a sala de visitas da diretora, os alunos aprendiam, plantavam, colhiam e vendiam e prestavam contas de suas vendas, apresentando os custos e os lucros, ou seja estudavam e aprendiam a valorizar o que ganhavam, graças à nossa horta caseira.

Vitor Hugo do Nascimento / Muzambinho - Técnico do Ex-IBC / [email protected]