Embalagens vazias de agrotóxicos

Publicado em 03/02/2017 - vitor-hugo - Da Redação

Embalagens vazias de agrotóxicos

O recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos faz parte da rotina dos agricultores no cumprimento das leis ambientais vigentes. As cooperativas e os órgãos sindicais empenhados no processo educativo da lavagem das embalagens e recolhimento em postos de entrega tem cumprido exemplarmente suas funções. Li um artigo em um jornal, no ano de 2015, sobre o recolhimento de embalagens de agrotóxicos em um município da região cafeeira. Segundo a reportagem, haviam sido recolhidas no espaço de 13 anos, dois milhões de embalagens vazias. O fato chamou minha atenção e fiz as contas. Com um cálculo simples, entendi que dois milhões divididos por treze anos dariam em torno de cento e cinquenta e três mil embalagens de agrotóxicos por ano. Considerando uma média de cinco litros de produtos em cada embalagem, teremos nada menos do que setecentos e sessenta e cinco mil litros de agrotóxicos aplicados em cada ano. Considerando uma dosagem média de 2 litros por hectare, teremos uma área de trezentos e oitenta e dois mil e quinhentos hectares envenenados por ano. Para ilustrar e dimensionar o tamanho da área, seria um retângulo de 100 quilômetros de comprimento por 35 quilômetros de largura. Isto em apenas um município, em apenas um ano. E em todo o estado como é que fica? E no país inteiro? Em muitos anos consecutivos de aplicações? O referido artigo (que temos guardado) termina com aplausos e premiações, enfatizando com o seguinte trecho: “A grande importância da logística de reversão entre fabricante, comerciante e consumidor. Prometendo que este processo de conscientização e de educação ambiental seja incrementado para que as gerações futuras não precisem mendigar as coisas que Deus nos deu em abundância, como as árvores e a água limpa e potável e que não estamos sabendo usufruir por motivo de ganância e exploração financeira”.
Caro amigo leitor desta nossa modesta coluna, o que mais nos impressiona é o contrassenso. Até quando a natureza vai conseguir absorver esta quantidade de agrotóxicos que, se computados em todo o país, vai dar um número que não cabe na folha de papel. E ainda falam que é para defender as gerações futuras! Deste jeito, será que teremos gerações futuras? Ao nosso ver seria motivo de festa se não tivéssemos nenhuma embalagem para recolher, aí sim, estaríamos mostrando sabedoria e tecnologia na lida com a terra, preservando um mundo limpo para as gerações futuras. Nunca é tarde para a busca de novos caminhos, reconhecendo com humildade, que o erro pode ser corrigido. E, antes tarde do nunca. Respeitando a natureza, certamente seremos respeitados por ela. Agredindo a natureza, vamos sofrer agressões, gerar desequilíbrios biológicos, como já estamos sentindo, com sérias consequências. Terminamos com as palavras de Chico Xavier: “Não é possível voltar ao passado e modificar o começo de uma história. Mas é possível modificar o final desta história”.

Vitor Hugo do Nascimento / Muzambinho
Técnico do Ex-IBC / [email protected]