Animais atropelados nas rodovias

Publicado em 09/12/2016 - vitor-hugo - Da Redação

Animais atropelados nas rodovias

São estarrecedoras as estatísticas levantadas por universitários sobre o número de animais atropelados nas rodovias, anualmente, são mais de cem milhões. Já abordamos este assunto em uma nova coluna de um informativo rural, há mais de vinte anos passados, e na época recebemos muitas ligações de pessoas sensibilizadas com estes fatídicos acidentes. Hoje com o aumento absurdo do tráfego e da velocidade nas rodovias, alguma providência deveria ser tomada no sentido de poupar a vida destes animais, que traria também maior segurança para todos nós que trafegamos pelas rodovias. Os animais, pequenos roedores procuram abrigo nas faixas das estradas, primeiro porque é um local vedado ao pastoreio de bovinos e equinos, outro fator ao nosso ver são os alimentos como farelos de milho, soja e rações, que escapam das carretas transportadoras, os roedores atraídos pelo seu olfato afinado, vem estabelecer suas numerosas proles nesta faixa e servirão de atração para os predadores: cobras, lagartos, raposas e lobos. As aves de rapina corujas e gaviões também fazem parte da cadeia em busca de pequenos animais e aves e por último vem os urubus que se encarregam da limpeza final. O problema existe, é sério e merece atenção no sentido de que nossos netos não tenham que recorrer às memórias de um computador, para saber como eram esses animais. As estradas foram feitas para trafegar, temos todos que trabalhar, mas muita das vezes não necessitamos de altas velocidades, principalmente onde “deveria” estar sinalizado como provável passagem de animais selvagens. O alerta e a precaução podem ainda nos dar a satisfação de ver um destes animais ao vivo e a cores, ainda salvar muitas vidas, as vezes até de uma fêmea que busca a sobrevivência de seus filhotes. Nosso amigo e colega do antigo IBC, Jorge Vanderlei é inventor de um “gancho ecológico” que foi apresentado na ECO 92 no Rio de Janeiro, como acessório a ser levado no porta malas dos carros, para que os motoristas possam retirar da pista os animais atropelados, preservando não só a vida de outros animais como lobos, gaviões e urubus, mas também a segurança de quem trafega pelas rodovias. Valeu, meu amigo, a natureza agradece. Como podemos ver neste exemplo, muitas vezes os procedimentos mais simples podem trazer grandes e profundas modificações no comportamento de todos nós. O mundo populoso nos obriga a dividir espaços, estreitando nossos laços de vida ao dos outros seres vivos. Os animais selvagens não são obrigados a respeitar as leis de trânsito, somos nós os motoristas que temos o dever de reconhecer as leis de sobrevivência das espécies. Pensando nisto vamos ver que a vida é feita de momentos..., dos bons momentos que uma viagem pode nos proporcionar.

Vitor Hugo do Nascimento / Muzambinho
Técnico do Ex-IBC / [email protected]