A sabedoria do Cacique

Publicado em 24/03/2017 - vitor-hugo - Da Redação

A sabedoria do Cacique

Assistimos estarrecidos um documentário sobre as extrações ilegais de madeira e queimadas na região amazônica entre os estados de Rondônia e Acre no município de Labreas, derrubados e queimados para virar pastagem, depois viram cereais e futuramente desertos. Segundo a reportagem foram mais de 130.000 focos de incêndios na Amazônia, este que citamos, foram apenas 2.000 hectares. No ano de 1855 o governo do então presidente Franklin Pierce (USA) tentava convencer o chefe da tribo Suquamish do estado de Washington a vender suas terras. A carta resposta do Cacique Seattle, tornou-se um verdadeiro hino para os movimentos em defesa da natureza ao redor de todo planeta. Passados mais de 160 anos, em cada leitura, brotam novos ensinamentos proféticos e incrivelmente encaixados nos fatos da atualidade. Citaremos alguns trecho da carta: “Vamos pensar na oferta do homem branco, pois sabemos que podem vir com as armas e tomar nossas terras. Mas a ideia não tem sentindo para nós..., se não possuímos o frescor do ar e o brilho das águas como poderemos vende-los...? Qualquer parte desta floresta é sagrada para nós, pois é a nossa mãe e a seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. O homem branco esquece a terra do seu nascimento, nós índios jamais esquecemos nossa mãe. A água límpida dos riachos representa o sangue de nossos ancestrais, o grande chefe quer comprar nossas terras para que sejamos seus filhos, mas não respeitam os rios que são nossos irmãos. O apetite do homem branco vai exaurir a nossa terra, deixando para trás os desertos, talvez por sermos selvagens não podemos compreender... mas nosso modo de ser é diferente, a visão de vossas cidades faz doer os olhos do homem vermelho, não existe o silêncio e não podemos ouvir o zumbir dos insetos nem o pio da coruja, o farfalhar das folhas ou o coaxar das rãs nas margens dos lagos. A terra não pertence ao homem... ele é que pertence a terra, todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família, o que fere a terra, fere os seus filhos, o homem não tece o tecido da vida, é apenas um dos fios deste tecido, o que fizer de mal ao tecido, faz a si próprio. Contaminai a vossa cama e morrereis sufocados por seus próprios dejetos. O nosso Deus é o mesmo e esta terra é querida por Ele, nem mesmo o homem branco poderá evitar o nosso destino comum. Depois que o último homem vermelho tiver partido.. e sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós a amamos, como um filho ama o bater do coração de sua mãe. Se a vendermos, protege-a para abrigar seus filhos, pois quando acabar a água e o frescor das matas será o final da vida.. e o início da luta pela sobrevivência”. A natureza no seu estado original, é a mais pura expressão da verdade, portanto para praticar a agricultura devemos fazer uma reflexão nas sábias palavras do cacique cuja mensagem prega a harmonia e a prosperidade entre o homem e a natureza. Que assim seja.

Vitor Hugo do Nascimento / Muzambinho
Técnico do Ex-IBC / [email protected]