A defesa natural dos vegetais

Publicado em 06/02/2017 - vitor-hugo - Da Redação

A defesa natural dos vegetais

Uma planta bem alimentada é dotada de um sistema natural de defesa contra o ataque de insetos, fungos, bactérias e vírus, se a planta adoece é devido a deficiências, excessos ou desequilibros minerais que podem ocorrer também em função das variações climáticas. Os vegetais à semelhança de nós animais, dispõem de mecanismos próprios de defesa acionados em presença de qualquer agressor. As plantas produzem vitaminas, proteínas e carboidratos atendendo as necessidades vitais e produzem, nas chamadas rotas metabólicas secundárias, substâncias fitoquímicas que se acumulam ao redor dos sítios de ocorrência de qualquer agressão externa causada pela ação de insetos, fungos ou bactérias, entre estes interessantes compostos (de que falaremos oportunamente), estão os aromáticos. Cada planta tem seu cheiro e os insetos por exemplo são capazes de identificar estes aromas a quilômetros de distância tanto como atrativos como repelentes, são os chamados “terpenos”, uma das plantas conhecidas com estas qualidades é a Citronela cujo terpenóide é o “geraniol” repelente dos borrachudos, outra substância, o cinerol é extraída do eucalipto também repelente para insetos domésticos, outra produzida pelos crisântemos, conhecida há muitos anos que é a “piretrina” (daí os inseticidas piretróides). As substâncias naturais são mais eficientes do que os sintéticos no preparo de aspirais para afugentar insetos, a nicotina contida no tabaco é também um inseticida, porém sua manipulação requer cuidado porque é tóxica. Estes são alguns exemplos mas são milhares de substâncias, em centenas de espécies vegetais e esta tecnologica não é novidade, os nossos avós já sabiam, que a aboboreira é repelente para insetos hematófagos, a erva doce é repelente para traças, o cinamomo (Santa Bárbara) tem sementes ricas em azadiractina com ação inseticida mesma família do Nin, a mamona é repelente para mosquitos e é útil plantar em locais de águas estagnadas, paradas, o hortelã é repelente para insetos e até ratos, o gerânio, o girassol, são repelentes para insetos, arruda, erva cidreira e uma centena de outras espécies vegetais. Só que estes conhecimentos foram superados pelos produtos químicos, sintéticos objetivando combater os “efeitos” sem se preocuparem com as “causas” que afinal são geradoras de consumidores e a bola de neve vai crescendo, e a aplicação de venenos vai cada vez mais desequilibrando a natureza, como estamos vendo toda hora nos repórteres, escritos e falados, o Brasil está assustado com a dengue, agora chega a febre amarela, estamos picados de insetos e vacinas, será que não é hora de buscarmos os conselhos dos “mais velhos”: antes prevenir do que remediar”? Desde a década de 50, já são conhecidas as armadilhas contendo feromônios (substâncias com cheiro característico de hormônios sexuais para atrair os insetos para monitoramento populacional). As pesquisas já estão bem avançadas na busca de soluções biológicas para o controle de insetos, como os mosquitos da dengue e febre amarela, mas devem ser ainda mais incrementadas, caminhando junto com uma mudança de hábitos de toda a população no sentido de recuperar o elo perdido do equilíbrio ambiental. Há poucos dias vimos uma reportagem de um grupo de moradores em São Paulo que recuperaram uma área, retirando o lixo e colocando de volta a flora e a fauna. Só que a reportagem foi curta e rápida.

Vitor Hugo do Nascimento / Muzambinho
Técnico do Ex-IBC / [email protected]