“Cooperativa” do crime atua na região

Publicado em 30/04/2016 - policia - Da Redação

“Cooperativa” do crime atua na região

Nesta semana, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais promoveu audiência pública em Guaxupé com o objetivo de debater a criminalidade regional e medidas para incrementar a área de segurança. 

Chamou a atenção das autoridades e lideranças participantes da audiência, revelação feita pelo Promotor de Justiça, Dr. Thales Cerqueira. A autoridade do Ministério Público relatou a “revolução” promovida pelo então Delegado Regional Dr. Sérgio Elias que mudou o esquema de investigação. O delegado passou a desenvolver um trabalho de escuta telefônica e inteligência na investigação criminal. Com isso, apurou que no município de Guaxupé existe uma “cooperativa de entorpecentes”. Quando falta droga numa “biqueira”, os criminosos “abastecem” outra.
Dr. Thales também revelou informações da atuação do crime organizado infiltrado na região. Este fato não chega a ser novidade, conforme reconheceu o próprio Promotor. Mas acrescentou que a “iniciação” ocorre num grupo de Alfenas, correspondendo à tatuagem de carpa. Já a tatuagem da caveira significa “matador de policial”. A estratégia e organização é tão grande que o tráfico de drogas se tornou uma verdadeira empresa através do sistema de cooperativas, inclusive com uma regional do crime organizado. O PCC promove julgamentos através de instrução, acusação e defesa, com condenação no mesmo dia, inclusive com pena de morte.
Com as várias prisões feitas em Guaxupé e redução na renda, através do primeiro trabalho feito pelo delegado Dr. Sérgio Elias, os criminosos entraram em desespero e passaram a assaltar o comércio durante o dia.
Dr. Thales também fez um alerta diante da pretensão de construção de um Centro Regional de Reeducação de Adolescentes. Citou o exemplo ocorrido em Divinópolis, quando se pretendia receber apenas adolescentes da região. Porém, depois acabou acolhendo adolescentes de todo o estado, muitos de altíssima periculosidade. Com isso, latrocidas, homicidas e estupradores acabaram saindo e permanecendo nas ruas de Divinópolis. Portanto, uma situação bastante complexa.
Já o Juiz Dr. João Batista Mendes Filho comentou que os adolescentes estão sendo usados pelos criminosos maiores de idade que “descobriram” que a prática não incrimina ninguém. Neste contexto, deixou uma sugestão no sentido de elaboração e aprovação pela Assembleia Legislativa de uma lei “regionalizando” a abrangência do Centro de Reeducação de Adolescentes. Ou seja, estabelecendo que a casa de menores infratores seja regionalizada, não permitindo o recebimento de menores de outras regiões.