Sobre Cinzas e Ressurreição

Publicado em 13/02/2017 - paulo-botelho - Da Redação

Sobre Cinzas e Ressurreição

Faz algum tempo, um tio de Hildebrando Bueno pediu para ser cremado quando “batesse as botas”. Não demorou muito e “aquela senhora da foice” chegou para ceifar a vida do tio aos 75 anos de idade.

Naquele tempo, não muito distante, uma cremação só era possível em São Paulo na Vila Alpina. De lá, as famílias saiam com um pote contendo as cinzas e procurando seguir as recomendações do morto. Mas, até hoje, nem sempre as recomendações são levadas muito a sério. As cinzas do tio acabaram indo repousar numa prateleira de despensa da cozinha da casa. Depois de algum tempo esquecido, a empregada resolveu abrir o pote; provou e aprovou o conteúdo como tempero. Certo dia, alguém da família resolveu mudar o pote de lugar e constatou que estava  vazio. Hildebrando acabou me poupando de conhecer o desfecho da situação.

Mas, parece que tal evento não é lá tão incomum. Sabe-se que aquele guitarrista dos Rolling Stones – acho que o mais louco deles – fumou quase que o pote inteiro das cinzas do próprio pai. Por descuido, amor ou ódio? – Nunca se saberá!

Embora um cremação seja uma solução higiênica, a pergunta é: Como fica o Dia da Ressurreição dos Mortos? – Acho que nem os padres têm a resposta.

Aí, eu fico a pensar em Lázaro. A ressurreição dele é um dos milagres de Jesus, relatado em João 11:3 – 46, no qual Jesus o traz de volta à vida depois de quatro dias de sepultamento. – “Eu sou a ressurreição e a vida. O que acredita em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo o que vive e acredita em mim, não morrerá”. – E Jesus chorou. É mesmo de arrepiar! Quem diz tal coisa é porque tem o poder, também, sobre as cinzas!

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br