As Palavras e sua Sintaxe

Publicado em 28/09/2017 - paulo-botelho - Da Redação

As Palavras e sua Sintaxe

“Ainda que eu falasse a língua dos homens; que eu falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria.” Paulo, Coríntios I-13:1.

A bela música “Monte Castelo”, composta por Renato Russo, líder da Legião Urbana, sempre foi uma das minhas preferidas. Ela foi inspirada na linguagem do amor escrita pelo Apóstolo Paulo aos Coríntios.

O passado que atravanca o Brasil está presente entre nós. Desde a maneira de falar ou escrever, passando pela maneira de viver e até em pensar a vida e a política. O sociólogo José de Souza Martins, contata: “Ainda falamos um resquício da língua Nhengatu”. Segundo ele, o Nhengatu foi uma língua criada pelos padres jesuítas. Baseada na língua Tupi e organizada a partir da gramática portuguesa difundiu-se por todo o litoral brasileiro. Raramente se diz uma frase inteira. A fala cotidiana tem sujeito e verbo; raramente objeto e complemento. Sérgio Buarque de Hollanda, o pai do Chico Buarque, em “Raízes do Brasil”, analisa: “Diferente do que ocorre com a língua p ortuguesa em Portugal, sempre se diz as coisas pela metade: eu vou, mas não diz para onde e nem quando”. Essa é a linguagem do medo; de quem não pode dizer uma frase porque não tem certeza. Essa linguagem incompleta é a linguagem da certeza de que o outro sabe o que se quer dizer. Sempre se deixa um resto de frase para completar o andamento da comunicação.

Fala-se ou escreve-se para comunicar alguma coisa a alguém. – E o que significa comunicar? – Pela própria etimologia da palavra significa tornar comum uma informação, uma ideia, um projeto. Ao escrever, principalmente, não é preciso ficar com preocupação em demonstrar erudição ou cultura gramatical. Machado de Assis, nosso melhor escritor, comparava: “Pode ser um gênio em gramática, mas um idiota na escrita”. Se a gente quiser falar e escrever, de maneira eficiente, é preciso ter na cabeça as três funções básicas da comunicação: Produzir uma resposta; tornar o pensamento comum; convencer ou persuadir. Mas, é preciso, tamb&eac ute;m, ter boas palavras; linguagem de amor. Elas existem para serem pensadas, gravadas e salvas no disco rígido da memória; memória da alma.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. Associado-Docente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. www.paulobotelho.com.br