Transporte aéreo clandestino mata

Publicado em 12/02/2019 - geral - Da Redação

Transporte aéreo clandestino mata

O Brasil ficou mais triste e menos crítico. Milhões de brasileiros acostumados a ouvir a voz do jornalista Ricardo Boechat todas as manhãs, com suas análises precisas, não tiveram a companhia do apresentador no seu trajeto até o trabalho. Aos 66 anos, Boechat faleceu em um acidente de helicóptero na cidade de São Paulo, no dia 11 de fevereiro. 

Helicóptero que ele não poderia estar embarcado, tivessem os regulamentos aeronáuticos vigentes sido seguidos, pois a empresa contratada não tinha permissão para efetuar fretamentos com transporte de passageiros, ou seja, o que estava acontecendo era um transporte aéreo clandestino, sem o conhecimento de Boechat, claro. 

O transporte aéreo clandestino se dá quando um proprietário de uma aeronave vende um voo sem as devidas autorizações para fazê-lo. Muitos veem isso como um zelo burocrático, mas na prática as estatísticas de acidentes mostram outra coisa. Os regulamentos aeronáuticos variam para operações privadas, de táxi-aéreo e aviação comercial (as que envolvem grandes aeronaves), sendo cada vez mais restritivas, e as estatísticas mostram que o maior número de acidentes e mortes acontecem exatamente entre as operações privadas, onde também está o transporte aéreo clandestino. 

Um táxi aéreo é obrigado a cumprir com uma série de requisitos adicionais de segurança, desde treinamento para seus tripulantes até requisitos de contratação, e uma aeronave para voar como um táxi aéreo, não raro, necessita de equipamentos adicionais que não são exigidos numa operação privada. 

Assim, não é coincidência o maior número de acidentes entre os aviões privados, e não é mera burocracia exigir a certificação de um táxi aéreo para se vender fretamentos. É respeito pela vida humana.  

(*) Shailon Ian é engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), presidente da Vinci Aeronáutica e ex-tenente da FAB (Força Aérea Brasileira).