P7 Criativo vira realidade para criar a maior agência de fomento à Indústria Criativa de Minas Gerais

Publicado em 04/07/2018 - geral - Da Redação

P7 Criativo vira realidade para criar a maior agência de fomento à Indústria Criativa de Minas Gerais

Espaço piloto está em funcionamento e será transferido para a sede definitiva no antigo prédio do Bemge, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na Praça Sete. Estão previstos investimentos de R$ 45,7 milhões

Dez meses após a inauguração, o P7 Criativo está em pleno funcionamento em seu endereço alternativo, na Avenida Afonso Pena 4.000, oferecendo 120 estações de trabalho para 30 empresas e desenvolvendo serviços para acelerar, formar e capacitar novos empreendedores. 

Espaços do P7 Criativo (Crédito: Carlos Alberto/Imprensa MG)

A proposta central do espaço é alavancar novos negócios, gerar mais emprego e renda, além de incentivar a inovação para projetar Minas Gerais no cenário da indústria criativa no Brasil e no mundo.

Desde então, a iniciativa inédita do Governo de Minas Gerais vem ganhando corpo. O piloto do P7, com 1.500 metros quadrados, hoje 29 empresas já estão instaladas, ocupando 92 estações de trabalho.

A mudança para a sede definitiva, com 18 mil metros quadrados, no antigo prédio do Bemge, na Praça Sete, no centro da capital, está prevista para o primeiro semestre de 2019, e irá requalificar todo o hipercentro de Belo Horizonte. 

O ousado P7 Criativo vai ficar localizado em uma das esquinas mais importantes da cidade. O edifício modernista projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em 1953, está sendo totalmente revitalizado.

Estão previstos investimentos de R$ 45,7 milhões, sendo R$ 28,5 milhões pela Codemge e R$ 17,2 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

O local abarcará um novo pioneirismo econômico, em ambientes de cultura e negócios, em 17 mil metros quadrados, distribuídos em 25 andares. Dos 25 andares, 11 serão disponibilizados para sediar as empresas da indústria criativa, ligadas à nova economia.

Áreas internas do P7 Criativo (Crédito: Carlos Alberto/Imprensa MG)

A Zup Inovation é uma delas e futuramente será uma empresa-âncora da nova sede, trazendo 120 pessoas para o espaço. A startup, que nasceu em Uberlândia, cria soluções inovadoras em tecnologia no universo bancário e de telecomunicações, com a premissa de inserir empresas tradicionais no mundo tecnológico e impactar a vida das pessoas, lançando estratégias digitais inovadoras e de baixo custo.

“A iniciativa do P7 foi fundamental para a Zup se estabelecer em Belo Horizonte. O espaço traz um conceito despojado, com área de convivência e espaços para compartilhar ideias. Desde que estamos aqui temos facilitado a troca de conhecimentos para que todas as empresas no P7 cresçam juntas com as confluências”, conta o executivo da Zup, Júlio Souza.

Essa estratégia laboratorial, no P7 provisório, vai garantir que, quando as obras na Praça Sete estiverem concluídas, esteja formada uma comunidade forte e também desenvolvido um modelo de trabalho para ocupar a nova sede e torná-la produtiva em um curto espaço de tempo.

Na área de empreendedorismo feminino está a presidente do Conselho da Mulher Empreendedora da AC Minas, Alessandra Alkmim. Sua empresa, a Orion Aceleradora de Ideias, atua com palestras, mentorias e workshops voltados para mulheres que estejam buscando inovação e criatividade para alavancarem seus negócios.

“Logo que cheguei já entrei em projetos semelhantes ao meu. É um lugar perfeito para alavancar minha empresa”, diz Alessandra.

À esquerda, Alessandra Alkmim, e à direita, Júlio Souza (Crédito: Carlos Alberto/Imprensa MG)


Estudos de viabilidade do projeto indicam que, em pleno funcionamento, o P7 Criativo tende a gerar mais de 1,6 mil empregos diretos e 8 mil indiretos, além de R$ 113 milhões de movimentação econômica anual. Vai atender a 112 empresas de pequeno porte, 25 empresas de médio porte e 10 empresas de grande porte.

“A ousadia dessa gestão é criar um projeto para atingir um nicho de mercado dos profissionais criativos que não tinham um guarda-chuva com o qual eles pudessem se identificar", explica a diretora de Fomento à Indústria Criativa da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Fernanda Medeiros Machado.

A executiva olha para o futuro. "Vamos deixando aí um grande legado, com esse objetivo de olhar para setores da economia que têm característica muito forte, e também começando a criar políticas públicas de suma importância, como o audiovisual, a gastronomia, a moda, o artesanato, entre outros”.

"O P7 Criativo vem para ser o grande instrumento que vai dar perenidade a uma política pública focada exatamente nas características de Minas Gerais, mas também com o objetivo englobar o tradiciona e o histórico, chegando ao contemporâneo e ao moderno. Isso porque todos esses ofícios seguem uma evolução, agregando mais valor e mais condições para que os empreendedores conquistem novos públicos e nacionalizem e internacionalizem o Estado de Minas Gerais bem no hipercentro da capital”

Fernanda Machado, diretora de Fomento à Indústria Criativa da Codemge

Esse é o resultado de uma articulação institucional pioneira entre a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), a Fundação João Pinheiro (FJP) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes).

O P7 Criativo foi pensado buscando sua própria autonomia para que alcance a autossustentação e mantenha seu funcionamento sem necessidade de alçar mão de recursos públicos. Existem várias formas criativas de promover esse trabalho, oferecendo produtos e serviços de qualidade para que se estabeleça a sustentabilidade e a continuidade.

"O projeto piloto é tão importante para comungar as ações, otimizar os recursos dos investimentos e utilizar as estruturas do prédio, não para ficar só dentro do prédio, mas para ser catalizador e atender todo o estado”, conclui Fernanda.

Estrutura

Praça Sete de Setembro, no hipercentro de Belo Horizonte, local que vai abrigar o P7 Criativo (Crédito: Charles Torres)

Como o edifício é tombado, toda a obra é acompanhada por técnicos do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). Há um esforço importante para preservar os acabamentos originais, como o piso em tacos de peroba, que estão sendo cuidadosamente retirados para restauração.

Também há um cuidado minucioso com as paredes em pedra Lioz, os painéis de tijolos de vidro; os revestimentos internos dos banheiros, o guarda-corpo da cobertura, as pastilhas cerâmicas que revestem a casa de máquinas e outros acabamentos instalados ainda na década de 1950.

A estrutura do P7 vai contar com o Memorial da Praça Sete, espaço de cultura e história aberto a toda a população; terá a primeira biblioteca pública virtual de Minas Gerais; um restaurante com vista panorâmica para toda a cidade de Belo Horizonte, também aberto ao público; além de espaços de coworking, salas multiuso, centro de pós-produção audiovisual, auditório, laboratório aberto para experimentação e prototipação de produtos, além de 11 andares disponíveis para empresas da indústria criativa – pequenas, médias e grandes.

Veja como está prevista a ocupação do prédio, andar por andar, clicando aqui.

Integrar o P7

Segundo a diretora de Fomento à Indústria Criativa da Codemig, Fernanda Medeiros Machado, todo o processo de entrada e adesão ao espaço coworking do P7 Criativo em seu espaço provisório vem sendo feito através do site www.p7criativo.com.br.

Espaços do P7 Criativo (Crédito: Carlos Alberto/Imprensa MG)

Uma equipe especializada realiza uma análise daquilo que é a proposta para verificar se a empresa se enquadra nas missões, valores e objetivos da própria agência de fomento, driblando o modelo puro e simples de cooworking, pois há todo um investimento no crescimento daquelas estruturas que estão ali.

“Buscamos uma diversidade que não envolve ter só a TI ou só o audiovisual, não só a moda e não só a comunicação. Esse clima de conexões é o que transforma o local no potencial a que veio cumprir, sempre relacionando uma empresa âncora com seus fornecedores. Por isso, temos que ter a diversidade e a sinergia”, diz Fernanda.

Para o engenheiro e diretor executivo da Link Saúde, Thiago Madureira Andrade, que trabalha com um sistema de inteligência de dados com prontuários eletrônico online, tanto para médicos particulares em consultórios como para repartições públicas e hospitais, a maior vantagem que o local traz é o intercâmbio de informações constantes.

“No P7 Criativo temos a oportunidade fazer sinergia com várias outras empresas de pequeno e médio porte e a grande estratégia da Link Saúde é fazer conexão com empreendimentos, agregar qualidade e velocidade no alavancamento dos produtos que irão beneficiar a sociedade e a economia”, ressalta Andrade.

Os usuários pagam valores pelas suas estações de trabalho, mas não só pela estrutura e sim pelas oportunidades diferenciadas que recebem com as atividades preparadas pelos setores do Estado, como mentorias, acompanhamentos, capacitações, laboratórios e de todas atividades que são ofertadas pelos agentes direcionados a atendê-los no acesso e na orientações dos serviços ofertados.

À esquerda, Thiago Haddad, e à direita Thiago Madureira Braga (Crédito: Carlos Alberto/Imprensa MG)


Segundo o administrador e sócio fundador da 1003apps, Thiago Haddad, empresa que atua com quer levar o empreendimento para o mundo virtual com aplicativos para celular e mobiles na área de startups, o mundo digital é muito dinâmico e precisa de trocas para avançar. "No P7 conseguimos resolver alguns problemas, o que tem facilitado e impulsionado o trabalho da 1003apps e todos saem ganhando”, diz.

segov