Encontro no Unifeg debateu causas e prevenções de suicídios

Publicado em 22/09/2018 - especial - Da Redação

Encontro no Unifeg debateu causas e prevenções de suicídios

O Unifeg, através dos cursos de Psicologia e de Enfermagem, em comemoração ao “Setembro Amarelo”, mês dedicado às prevenções de suicídio, promoveu na terça-feira, 18, a partir das 19 h, o Primeiro Encontro de Atenção ao Risco de Suicídio. O evento aconteceu na antiga Capela São José, localizada no interior daquela instituição de ensino, sob a coordenação da Professora e Psicóloga Mariana Rios. O tema principal foi “Suicídio, uma epidemia silenciosa”.

Naquela oportunidade discorreram sobre o tema, além de Mariana Rios, Ricardo Marquesini, pastor da Igreja Presbiteriana de Poços de Caldas; Carlos de Souza Filho, psicólogo do CAPS de Poços de Caldas; Ana Cecília de Lima Andrade, psicóloga clínica; Cláudio Inácio de Oliveira Corsi, enfermeiro da rede municipal de saúde local.

Após as palestra foi feita uma apresentação teatral retratando as dificuldades de convivência e de relacionamento de uma jovem com os familiares, com o envolvimento com drogas ilícitas, que culminou com o suicídio da mesma.

Mariana Rios

Segundo a coordenadora do evento, os índices de suicídio no Brasil e no mundo veem aumentando de forma considerável, o que tem preocupado os profissionais da área de saúde, principalmente psiquiatras e psicólogos. Disse que a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida, totalizando um milhão de vítimas por ano, o que equivale à população de Campinas, SP.

Os estudos apontam o aumento da incidência nas mais variadas faixas etárias e camadas sociais. Os jovens com idade variando entre 15 e 25 anos, que não veem outra opção em virtude de conflitos de convivência; idosos sem perspectivas de vida, ou em virtude de viuvez.

Pastor Ricardo Marquesini

O pastor evangélico falou da experiência e da convivência com um familiar próximo que foi portador de depressão por 22 anos; dos altos e baixos provocados pela enfermidade, com as consequentes crises depressivas, e que durante uma delas o paciente, após a realização de uma consulta médica, atirou se do oitavo andar de um prédio, vindo a óbito.

Ele ressaltou a dificuldade da família lidar com o problema, uma vez que o “depressivo é imprevisível”.

Para ele, é de fundamental importância a prevenção evitando-se que as pessoas tirem a própria vida.

Carlos de Sousa Filho

O psicólogo Carlos apontou dados que demonstram o crescimento de índices progressivos da incidência de suicídios nas mais variadas camadas sociais, culturais e econômicas; apontou fatores que contribuem para isto e formas de tratamento.

Para ele, além do paciente, a respectiva família também precisa de acompanhamento psicológico para um melhor relacionamento com o “doente”. Caso a família ou as pessoas que convivem com o psíquico depressivo tenham um acompanhamento de um profissional, melhora a convivência, aumentando as possibilidades de ajuda.

Cláudio Corsi

O enfermeiro Cláudio Corsi falou a respeito de moléstias, como a aids e a sífilis, e de fatos, como a violência, que podem induzir uma pessoa ao suicídio. Outro fator apontado por ele é a intoxicação por drogas ilícitas ou bebidas alcóolicas. O viciado, em muitos casos, se sente impotente para deixar a dependência química e neste contexto acaba tirando a própria vida numa suposta resolução de seu problema.

Ele fez um estudo a respeito da incidência de suicídios no município de Guaxupé dividido em dois períodos, de 2000 a 2012 e de 2013 até agosto de 2018. No primeiro período tiveram 85 ocorrências, sendo que deste total, 45 eram portadores de aids, 29 vítimas de violência, 4 dependentes químicos, 7 portadores de sífilis. No segundo período ocorreram 1.295 óbitos, sendo que deste total, 62 eram aidéticos, 839 eram vítimas de violência, 283 dependentes químicos, 11 sifilíticos.