Mano Augusto

Publicado em 11/12/2017 e atualizado em 08/01/2018 - cesar-vanucci - Da Redação

Mano Augusto

“Augusto Cesar Vanucci, um iluminado!” (Artur da Távola, jornalista) 

Amigos diletos, ex-colegas de trabalho, companheiros dedicados em bem sucedidas empreitadas culturais e de solidariedade humana reverenciaram a memória de Augusto Cesar Vanucci, ao ensejo do transcurso do 25º aniversário de sua passagem para outro plano da existência. Uma série de palestras, tendo como foco a vida e obra do vitorioso diretor de televisão, acompanhada de representações teatrais, compôs a programação levada a efeito no “Teatro Vanucci”, Shopping da Gávea, Rio de Janeiro, nas noites das quartas-feiras de novembro passado. Coube-me, por deferência dos promotores do evento, a honra de fechar o ciclo de exposições diante de plateia numerosa, de expressão afetiva e intelectual. 

Sintetizo, a partir de agora, as considerações feitas na ocasião, naturalmente impregnadas de forte emoção. Mano Augusto foi uma criatura iluminada. Um contemporâneo do futuro, pode-se dizer. Alguém notoriamente provido de dons deveras singulares. Tanto na vida mundana, de modo geral, como na profissão abraçada, de modo particular. Desde meninote deu mostras de percepções invulgares. Passava sempre a sensação de saber das coisas. Madrugou no conhecimento dos assuntos considerados essenciais ao processo de construção humana. 

Considerado “garoto prodígio”, pelos pendores artísticos aflorados desde cedo, arrancava entusiásticos aplausos das plateias nas apresentações que fazia, como cantor no rádio, teatros e outros locais abertos a manifestações culturais. Com 12 anos de idade, levado de Uberaba pelos pais ao Rio de Janeiro, concorreu à premiação para cantores no programa “Hora do pato”, conduzido por Heber Boscoli, na Tupi carioca. Não deu outra: colocou o auditório em delírio interpretando a canção “Canta Brasil”, de Alcir Pires Vermelho e David Nasser. Passou a exibir o troféu conquistado na rádio em espetáculos a que era convidado a participar em cidades do Triângulo Mineiro. O pintor Cândido Portinari apreciava ouvi-lo nas visitas que fazia a amigos muito chegados em Uberaba. Convidou-o, certa feita, para apresentação em sua terra natal. 

Deu-se na sede da União da Mocidade Espírita de Uberaba o primeiro encontro de Augusto Cesar, ginasiano, com Chico Xavier, de quem acabou se tornando, vida afora, fraternal amigo. O célebre sensitivo, ainda residindo em Pedro Leopoldo (só muitos anos depois transferiu o domicílio), visitava Uberaba pela vez primeira. Mano Augusto foi convidado para um espetáculo em sua homenagem. Décadas mais tarde, já tendo se tornado nome vitorioso na área do entretenimento artístico, primeiro brasileiro a ser agraciado com um “Emmy” nos Estados Unidos e um “Ondas” na Europa (pelo programa “Arca de Noé – Vinicius para criança”, levado ao ar pela “Globo”), Augusto Cesar coordenou a campanha em favor da outorga do “Nobel da Paz” a Chico Xavier. A documentação a respeito da história legendária do mais famoso médium brasileiro continha assinaturas de dois milhões de cidadãos. Com o documentário “Um homem chamado amor”, Augusto deu amplitude notável nos meios de comunicação à obra de Chico. Ao mesmo tempo, adaptando para o teatro textos extraídos de livros do mesmo, lançou a peça “Além da vida”. Esta peça vem sendo encenada há um bocado de tempo, com público garantido, por grupos diferentes, em palcos de todo o país. 

Voltarei, adiante, a falar da ligação estreita de amizade entre Augusto e Chico, detendo-me num episódio pra lá de inexplicável à luz do mero conhecimento consolidado que temos das coisas deste mundo. 

Retorno à cintilante carreira de Augusto no mundo das artes, para dizer que ele, aos 18 anos, foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Passou em primeiro lugar num teste no “Teatro do Estudante”, de Pascoal Carlos Magno. Não concluiu o curso. “Olheiros” do setor teatral atraíram-no para a lida profissional, importante para ele como meio de sobrevivência. Estreando numa peça produzida pelas grandes vedetes Renata Fronzi e Mara Rubia, ele foi chamado para o papel principal, logo depois, em “Feitiço na Vila”, musical com repertório de Noel Rosa. Teve como parceiras no elenco Elizeth Cardoso e Mary Gonçalves. Contracenou, adiante, com Bibi Ferreira no musical “Alô, Dolly”. Estrelou outra peça originária da Broadway: “Como vencer na vida sem fazer força”. “Vamos brincar de amor em Cabo Frio” foi uma outra comédia musical por ele protagonizada. Enveredando pelo cinema, atuou em 18 filmes. “Eles não voltaram”, primeiro celuloide sobre a participação da FEB na campanha militar da Itália, foi um deles. Obteve numerosos prêmios como ator de cinema e teatro. Assumindo na nascente Rede Globo de Televisão a função de diretor da linha de shows e programas humorísticos, alcançou notoriedade nacional e arrebatou, como já dito, prêmios internacionais. Foi um craque de seleção na atividade a que se consagrou. Outras coisas que merecem ser ditas a respeito de sua marcante peregrinação pela pátria terrena, inclusive, o episódio instigante acima aludido, ficam para a sequência, já que esgotado o espaço de hoje destas maldatilografadas.

Cesar Vanucci - Jornalista ([email protected])