JK e o reencontro com o Brasil

Publicado em 11/06/2018 - cesar-vanucci - Da Redação

JK e o reencontro com o Brasil

“Uma mensagem de esperança!” (Gláucia Nasser, a propósito do espetáculo musical dedicado a JK)

O espetáculo teatral “JK: Um reencontro com o Brasil” projetou, em música, prosa e verso de nível artístico requintado, um pedaço precioso da envolvente história do mais fascinante personagem da cena política brasileira dos tempos modernos. Deu pra perceber nitidamente, na reação entusiástica da plateia presente ao teatro do Sesiminas em Belo Horizonte, o imenso respeito, admiração, gratidão e saudade que a vida e a obra do Nonô de Diamantina suscitam na alma popular.   

Ninguém ignora, por certo, em toda a vastidão do território nacional, que essa veneração persiste há décadas. E, nesta precisa hora, quando a Nação, a contragosto, vê-se sacudida por tensões agudas, por acontecimentos frustrantes geradores de compreensível indignação, por decisões políticas fundamentais impregnadas de nauseante negação do sentimento nacional, essa manifestação de reverência se faz mais agigantada ainda. 

As altissonantes lembranças da progressista “Era JK”, de contaminante euforia nos lares e nas ruas, são postas, constantemente nalgum lugar, em confronto com o acabrunhante momento administrativo vivido por nosso fabuloso país. As relembranças da vitalidade produtiva assombrosa dos chamados “anos dourados” escancaram o tremendo despreparo, a atordoante negligência e falta de sensibilidade social das lideranças políticas em evidência na atualidade, carentes de ideias e arrojo capazes de conduzirem o Brasil no rumo de sua indesviável vocação de grandeza. 

Gláucia Nasser, mineira de Patos de Minas, dirigente da Fundação “Brasil Meu Amor”, é a principal figura da equipe responsável pela montagem da peça “JK: Um reencontro com o Brasil”. Excepcional cantora, com desenvoltura no palco indicativa de arrebatante talento, explica que o intuito do espetáculo é proporcionar aos espectadores uma viagem pelos caminhos de superação percorridos por Juscelino e tantos outros cidadãos comprometidos com a tarefa de fazer do Brasil uma referência maiúscula no Atlas universal. “Transmitimos uma mensagem de esperança que conecte cada pessoa com a autêntica alma do Brasil, relembrando a fé, a alegria de ser brasileiro e a confiança de que nosso país pode ser o melhor lugar do mundo”, sublinha a estrela do musical. 

Entrelaçando boa música (obras consagradas de nossa incomparável mpb) e artes cênicas de aprimorado padrão, numa experiência visual e sonora empolgante, a encenação trazida a Minas, na excursão que faz por todos os Estados, arrancou aplausos frenéticos. “Emoção demais da conta!” – comentou em voz alta alguém numa poltrona próxima à minha, resumindo numa frase o estado de espírito dominante na plateia. Os espectadores compreenderam muito bem que o tributo prestado, no belo espetáculo (patrocinado pelo Sesi) à memória do inesquecível estadista encerra o claro sentido de resgate de um instante épico na vida brasileira. Um período de realizações fecundas em nosso processo evolutivo. A epopeia da implantação de Brasília (em tempo inferior a 4 anos, feito sem paralelo nos registros mundiais), a interiorização acelerada do desenvolvimento, a criação de infraestruturas logísticas que mudaram a face do país-continente, tudo isso e um mundão de outras coisas importantíssimas abriram nossos olhos para as potencialidades e virtualidades que nos credenciam a ambicionar no enredo civilizatório um protagonismo  vanguardeiro. 

O que foi teatralizado da história de JK mostrou, em cenas de rico colorido humano e artístico, um caleidoscópio do labor da gente brasileira, de seu talento, de sua poesia, da dadivosa paisagem natural deste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Sob a direção musical de Paulinho Dáfilin, a estrela Gláucia foi acompanhada em suas interpretações por excelentes instrumentistas: Guiza (violões e guitarra), Fernando Nunes (baixo), Thiago Gomes (bateria), Leandrinho Vieira e Chrys Galante (percussão), Jonas Moncaio (violoncelo), Pedro Cunha (teclados e acordeão) e Paulo Dáfilin (violões). Apresentação impecável. 

O reencontro com JK e com o Brasil genuinamente brasileiro fez todo mundo sentir que, nalgum momento, vão acabar brotando no pedaço, sim senhor, as condições ideais para que a brava gente brasileira consiga superar as adversidades e os desafios do presente e cuidar logo, como se andou fazendo no tempo de JK, da invasão do futuro. 

Cesar Vanucci - Jornalista ([email protected])