Encrencas que adoecem o mundo

Publicado em 06/08/2018 - cesar-vanucci - Da Redação

Encrencas que adoecem o mundo

“A mídia internacional tem culpa no cartório. Ora se tem!” (Domingos Justino Pinto, educador) 

As encrencas que adoecem o mundo são muitas. E mesmo dispondo de um formidável aparato de divulgação sobre o que rola pela aí, o ser humano carece, num sem número de circunstâncias, de informações pertinentes e tempestivas a respeito de um montão de coisas essenciais. Isso advém de descabidas interferências decretadas por conveniências espúrias. Conveniências que têm origem, no mais das vezes, na geopolítica-econômica. 

Interpretações propositadamente equivocadas, omissões clamorosas, cerceamentos da liberdade de expressão, indesculpáveis sigilos, revelações truncadas: tudo isso faz parte de uma metodologia de “comunicação” empregada à pamparra com o fito de confundir o entendimento e desviar atenções. 

O poderoso instrumental midiático é posto, incessantemente, a serviço dessa capciosa desfiguração da realidade. Pululam exemplos. Não é preciso retroceder muito no tempo para identificar situações tormentosas que possam ser tomadas como amostras sugestivas dessas desconcertantes reações. Vamos lá. 

Dias atrás, o sinistro EI, que andava um tanto quanto ausente do noticiário, voltou a atacar. Agiu simultaneamente em muitas frentes, produzindo, como de praxe, macabras estatísticas. As vítimas dos atentados ocorridos no Paquistão, Afeganistão, Síria elevaram-se a mais de três centenas. Gente do povo, não envolvida nas escaramuças bélicas que ensanguentam a região. O noticiário acerca dessas tragédias humanitárias foi exageradamente comedido na banda de cá do planeta. Foi de uma parcimônia desnorteante. E suspeitosa. Nada daquelas manchetes estardalhantes, nascidas de compreensível indignação por parte das ruas, quando a fúria terrorista eclode, por exemplo, numa capital no Ocidente, provocando vítimas inocentes em número consideravelmente menor. 

A primeira ilação a extrair dos fatos narrados, concebida em grau de constrangimento que chega a resvalar o estado de choque, é de que o Paquistão, o Afeganistão, a Síria estão demasiadamente distantes. Fazem parte de uma “periferia geográfica” enxergada com indiferença, com desdém, com menosprezo, pelos “donos do mundo”. Os habitantes desses “lugares” são de “categoria inferior”. São da “mesma laia” dos incômodos imigrantes, “de nacionalidades e etnias exóticas”, que têm sido recolhidos a essas versões modernosas de campo de concentração, conhecidas como centros de acolhimento humanitário montados pela “generosidade” de países ditos civilizados. “Eles lá”, com seus estranhos linguajares, crenças e hábitos culturais, que se entendam... É o que, de certa maneira, a manifesta má vontade da cúpula mundial diante dos infortúnios registrados naquelas longínquas paragens procura subliminarmente transmitir. 

E não é que essa chocante ilação acaba remetendo muitas pessoas dotadas de poder de observação atilado e capacidade de raciocínio mais desenvolta, que conservam os aparelhos de percepção pessoal sintonizados nos acontecimentos, a estranharem o motivo de as ações do terror virem merecendo atenção escancaradamente secundária, ultimamente, no noticiário internacional? “Desconfiômetro” ligado nas marchas e contramarchas de cunho geopolítico, muitos analistas deixam no ar interrogações sobre as causas dessa cortina de silêncio que, de repente, começa a recobrir a movimentação dos fanáticos religiosos. Já há mesmo quem ouse aventar algo estarrecedor. Como sabido, misteriosas forças ocultas têm sido responsáveis por garantir até aqui a sobrevivência do ISIS, provendo-o dos recursos necessários para seus nefastos feitos. Pois bem, essas mesmas forças ocultas estariam agora concorrendo, em sórdidas articulações de bastidores, para atenuar os impactos das agressões que o nefando agrupamento terrorista promove. O fim da picada! 

Há mais a dizer sobre essa questão do comportamento da mídia internacional quando minimiza a gravidade de fatos que alvejam em cheio a dignidade humana.

Cesar Vanucci - Jornalista ([email protected])