Chico Xavier e Augusto Cesar

Publicado em 18/12/2017 e atualizado em 08/01/2018 - cesar-vanucci - Da Redação

Chico Xavier e Augusto Cesar

“Estou perplexo! O querido Chico anteviu este nosso encontro.” (Augusto Cesar Vanucci) 

Vejam só como são armadas nas latitudes transcendentes, imperceptíveis ao olhar humano, as sincronicidades capazes de influenciar atos decisivos na conduta cotidiana. Encontro casual, na sala de espera de uma companhia aérea, no aeroporto de Congonhas, São Paulo, numa manhã de setembro de 1980, criou as condições propícias para que uma recomendação especial, de características pode-se dizer mágicas, desembocasse numa campanha humanitária de efeitos altamente positivos na história de benemérita instituição. 

Os apoucados, posto que assíduos e atentos, leitores destes mal alinhados escritos recordam-se, por certo, do registro feito no comentário passado a respeito de um episódio instigante que me propus a novamente relatar. Eu estava falando da palestra que proferi no Rio de Janeiro, no Teatro Vanucci, Shopping da Gávea, na última quarta-feira de novembro, ao ensejo da celebração dos 25 anos de passamento do mano Augusto Cesar Vanucci, promovida por seus amigos e colegas de trabalho.  Referindo-me às estreitas relações de amizade de Augusto com o célebre sensitivo Chico Xavier – relações de amizade essas que, ambos, fiéis às suas crenças, costumavam dizer remontar a tempos bastante recuados –, comprometi-me a contar, neste acolhedor espaço, a historieta que se segue. Nada demais repeti-la. O toque edificante e, ao mesmo tempo, comovente que a envolve legitima o repeteco. 

A convite do Lions, Augusto Cesar, à época diretor do núcleo de musicais e humorísticos da Rede Globo, fez uma exposição, no mês e ano acima citados, para público numeroso, no auditório da “Casa da Indústria”. Abordou as infinitas perspectivas que se estavam abrindo, na área da comunicação, em decorrência dos velozes e inimagináveis avanços tecnológicos da era eletrônica. Palestra já em andamento, os dirigentes do Lions foram procurados por Adalberto e Beatriz Ferraz, casal de saudosa memória, que se fazia portador de uma postulação para apreciação de Augusto. No pleito era descrita a situação aflitiva vivida, naquela fase, pelo Hospital Mário Penna. Pedia-se ao destinatário do apelo que se engajasse na busca de uma solução para a tormentosa questão, já que a organização citada via-se ameaçada em sua sobrevivência. Encerrada a exposição, grupo reduzido rodeou Augusto para rápida troca de ideias sobre o angustiante problema enfrentado pelo Mário Penna, um centro assistencial, como ele pode comprovar em visita feita na manhã seguinte, mantido na base do idealismo e abnegação por um punhado de pessoas abrasadas pelo sentimento da solidariedade. Augusto Cesar ficou tomado de contaminante emoção com o relato ouvido na “Casa da Indústria”. Saiu com uma revelação que deixou todos à sua volta boquiabertos. 

Começou por dizer que desconhecia, até aquele momento, a existência do Mário Penna. Informou, ao depois, que cruzando com Chico Xavier no aeroporto em São Paulo, este lhe pedira, com empenho, naquele tom suave de voz todo seu, que não deixasse de atender pedido angustiado que lhe iria ser formulado em favor de uma organização consagrada a assistir enfermos oncológicos carentes. “Estou perplexo!”, asseverou.  “O querido Chico anteviu este nosso encontro”. 

Estes os desdobramentos do incrível caso. Augusto atirou-se com ardor e entusiasmo a serviço da causa. Tornou-se um de seus benfeitores. O “Fantástico”, programa que criou e dirigia, focalizou em edições sucessivas as coisas do Mário Penna, enfatizando suas dificuldades para sustentar-se financeiramente. A instituição foi inserida entre as beneficiárias do “Criança Esperança.” No Palácio das Artes e no Mineirinho foram levados a efeito, um atrás do outro, espetáculos de artistas famosos, inclusive do exterior, com renda destinada à obra. A série de palpitantes reportagens na televisão estimulou o aporte de recursos do governo federal. O hospital Luxemburgo surgiu dentro desse favorável contexto. 

Desnecessário, a esta altura, sublinhar que, em momento algum, Chico Xavier veio a ser procurado, por quem quer que seja, para atuar como intermediário no auxílio prestado à organização. Sua misteriosa intercessão nasceu de desígnios superiores. Desígnios que constituem charada de difícil decifração para quem resista a admitir a infinitude dos territórios do conhecimento extra-sensorial a serem ainda desbravados pela inteligência, percepção e curiosidade humanas.

Cesar Vanucci - Jornalista ([email protected])