As forças da desordem carioca

Publicado em 14/05/2018 e atualizado em 14/05/2018 - cesar-vanucci - Da Redação

As forças da desordem carioca

“Desde fevereiro, quando foi decretada a intervenção federal na segurança  do Rio, coisas estranhas aconteceram.” (Jornalista Élio Gáspari) 

As poderosas forças da desordem, que dominam estratégicos redutos e esquemas na vida carioca, estão emitindo claros sinais de desafio à intervenção federal na segurança do Estado. Desnorteantes indicações a respeito desse audacioso procedimento foram trazidas ao conhecimento público pelo sempre bem informado jornalista Élio Gáspari. 

Incorrigíveis em sua aberta disposição de confrontamento com as leis que regem a convivência social, das quais deveriam ser por dever de oficio zelosos guardiães, integrantes da chamada “banda podre” dos organismos policiais do Rio de Janeiro vêm procurando criar todo tipo de óbice imaginável às ações das autoridades incumbidas de executar as operações de combate ao crime. 

A fieira das “coisas estranhas” que andam pintando no pedaço teve começo, pouco depois do decreto de intervenção, com a execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Silêncio de tumba etrusca se abateu, até aqui, sobre o trabalho investigatório, causando compreensível espécie. Como uma coisa puxa a outra, a história do atentado que comoveu o país levou, dias após, à notícia, divulgada sem o costumeiro alarde midiático, da suspeitosa execução do colaborador de parlamentar carioca. O edil havia sido chamado a prestar depoimento no inquérito que apura o assassinato de Marielle. 

Outro episódio estranho, contado pelo jornalista, ocorreu quando do anúncio do desencadeamento, por tropas do Exército, do processo de pacificação na Vila Kennedy. O gabinete do interventor foi surpreendido por uma operação que destruiu barracas e quiosques comerciais em logradouros da comunidade. Os autores da ação criminosa não foram identificados. Mais adiante, houve outro registro esquisitíssimo. No correr de inspeção do general que chefia o gabinete da intervenção a um batalhão da PM, parte da tropa formada recusou-se a prestar-lhe a continência devida. 

Os vazamentos sucessivos em torno das ações planejadas com o fito de desmantelar os núcleos do banditismo organizado vêm tornando o trabalho, em várias ocasiões, ineficaz. Isso ficou comprovado, por exemplo, em surtidas do Exército a unidades prisionais e aglomerados comunitários. No Complexo de Lins, operação que aglutinou 3.400 militares, nada praticamente de relevante, devido ao alerta prévio aos delinquentes, foi detectado. Outro lance “singular”: o gabinete da intervenção ordenou o retorno, aos batalhões de origem, de 3.100 policiais militares e bombeiros colocados à disposição de outros órgãos do governo do Rio. Mês e meio depois da determinação, mais da metade dos 150 PMs lotados na Assembleia Legislativa ainda não haviam se apresentado à corporação. 

Toda essa sequência de episódios desconcertantes, narrados por Gáspari, induz a conclusão de que, para alcançar resultados, a intervenção no setor da segurança no Rio de Janeiro vai ser obrigada a lançar mão, com foco em elementos das forças auxiliares de segurança, de medidas drásticas capazes de desfazer o nó górdio das espúrias engrenagens emaranhadas no aparelho policial. 

Passa a fazer sentido, quando se tem ciência de fatos assim, a polêmica e impactante afirmação recente do Ministro de Estado que, ainda recentemente, denunciou a existência de um conluio de comandantes de unidades da PM carioca com organizações de traficantes e milicianos.

 Tá danado! 

Cesar Vanucci -  Jornalista ([email protected])